Por décadas ensinei adultos; agora também os mais novos — dos cinco aos onze anos. Era a idade que me faltava. Todos aprendem a mesma coisa: a ver, e a desenhar o que está diante deles.
Nasci em Caruaru, Pernambuco. Minha vida foi marcada por uma tensão fecunda entre a investigação empírica rigorosa e uma visão artística profunda.
Meu doutorado em física — na Washington University in St. Louis, com um pós-doutorado em Harvard — me ensinou a ver a estrutura do invisível. E foi exatamente isso que me revelou como os Grandes Mestres viam o mundo.
Há mais de trinta e três anos ensino desenho, pintura, percepção visual, anatomia artística e História da Arte em Recife. Meu método, O Ato de Desenhar, destila essa experiência num treino prático de ver de outra maneira — um estudo por dia, do jeito que o hábito se forma no cérebro.
Meu trabalho mais recente é o registro de uma jornada de pesquisa — uma conversa entre um ser humano e uma inteligência artificial — feita para encontrar, traduzir, apresentar e contextualizar textos antigos guardados por séculos nos mosteiros da Etiópia. A pergunta que fiz numa manhã de sexta-feira em Recife era simples. A resposta, ao que parece, esperava havia séculos.